"Vidro" encerra ótima sequência de M. Night Shyamalan
ALERTA DE SPOILER: só tem spoiler - e opinião nesse texto. Esteja ciente!
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Créditos do fotógrafo Divulgação

Matheus Obana Por Matheus Obana 28/01/2019
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Quem assistiu "Corpo Fechado" (Unbreakable, no original), lá em 2000, talvez não esperasse que 19 anos depois o escritor, produtor e diretor M. Night Shyamalan finalizaria a trilogia de forma tão agradável. 

A história do filme em si trata de algo parecido com os universos de DC Comics e Marvel em que, basicamente, super-heróis salvam o planeta terra. Na trama de Shyamalan, esse papo de poderes sobrenaturais é trazido para mais perto do "ser humano comum", de forma a suavizar a extrema ficção e também "desglamourizar" um pouco do excesso já existente nas histórias em quadrinhos adaptadas para os telões.

Em "Corpo Fechado", David Dunn (Bruce Willis) é o único sobrevivente de um acidente de trem que vitimou 131 pessoas. Não bastasse sobreviver, não sofreu um arranhãozinho sequer. Elijah Price (Samuel L. Jackson), o vilão da trama toda, é o cara que tenta enfiar na cabeça de David que ele tem superpoderes - baseando-se em quadrinhos, os quais Elijah ama de paixão. Filme 1.

Em "Fragmentado" (Split, no original), de 2016, Shyamalan tomou uma acertada e agradabilíssima decisão ao chamar James McAvoy para interpretar Kevin Wendell Crumb, um homem com Transtorno Dissociativo de Identidade (DID), o qual faz tê-lo em seu corpo 23 personalidades diferentes, cada qual com suas particularidades e que resultam no 24º personagem: "a Besta" - o vilão desse filme.  O gancho com o primeiro filme não é identificado até a última cena, em que David Dunn, personagem de Bruce Willis, aparece. Ali, você pode (e deve) ligar os pontos. Filme 2.

Em "Vidro" (Glass, no original), recém lançado, uma médica - depois descoberta como integrante do que parece ser uma sociedade secreta - consegue reunir (o termo correto na verdade é prender) os três para estudá-los e, para completo desagrado de Elijah, convencê-los de que são normais e de que tudo que havia acontecido até então tinha explicações plausíveis. Elijah vê em Kevin (que pouco se manifesta dentre as 23 personalidades) a oportunidade de mostrar ao mundo de que são reais. O que Elijah quer, na verdade, é se utilizar da "Besta" para provar seu ponto: de que existem super-heróis. Seus métodos não são nada ortodoxos, por isso David (o herói bonzinho) decide entrar em sua rota. Filme 3.

O enredo é meio que isso aí. Eis que a diferença dentre o real universo em quadrinho e a trilogia se encontra: os três morrem. Sr. Vidro (Mr. Glass - Samuel L. Jackson), que dá nome a este filme graças a sua condição problemática de ossos extremamente sensíveis e quebráveis (eu podia ter contado esse detalhe antes, me perdoe), é morto com um simples toque da "Besta" (tudo bem que naquelas condições o cara fica de fato um monstro); David, que tem como ponto fraco a água, é afogado e morto pela tal sociedade secreta que citei acima, bem como Kevin, num momento em que vai à luz (expressão para caracterizar quem das 24 personalidades está se manifestando), sofre um disparo fatal dessa sociedade ASSASSINA. 

No fim, Elijah consegue o que queria ao hackear o sistema de câmeras onde eles se encontravam, que registrou todo o fuzuê, e enviando às pessoas as quais fariam suas vontades e expondo ao mundo.

É uma descrição muito rasa para mais de quatro horas de filmes, eu confesso, mas minha intenção era só prestigiar Shyamalan pela obra concluída.

Ele nos deu uma outra ótica sob o gênero "heróis"; muito mais acessível, crível e, por que não, até certo ponto, possível?

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