Temer gasta mais de 100 milhões pra convencer brasileiros que reforma da previdência é coisa boa
Em tempos de crise e corte de gastos, um orçamento de 100mi em propaganda parece ir na contramão do discurso do governo.
Por Hebert Neri 13/07/2017
    Compartilhe:

O presidente Drácula Michel Temer está com a corda no pescoço e quase sendo colocado pra fora igual a sua antecessora e ex-aliada, Dilma Rousseff. Pressionado pela baixa popularidade, o governo já gastou, em 2017, R$ 100 milhões com uma campanha publicitária para defender a necessidade da reforma da Previdência, uma das principais bandeiras do governo. Talvez, se fosse realmente tão boa assim, não precisasse investir tanto em convencimento da população.

Os gastos são quase dez vezes maiores do que o orçamento previsto para essa campanha. Os dados estão disponíveis no portal da LAI (Lei de Acesso à Informação) do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.

O dinheiro gasto entre janeiro e junho de 2017 com a publicidade sobre a reforma é o equivalente a 55% de todo o orçamento para campanhas publicitárias do governo neste ano. O orçamento previsto pela Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República) para 2017 era de R$ 180 milhões. É também maior que os gastos do governo com programas sociais como os que preveem a defesa dos direitos das mulheres. Ou seja: propaganda é mais importante do que programas sociais, em se tratando de convencer a aprovar essa reforma.

Inicialmente, a campanha estava prevista para custar R$ 13 milhões. Esse dado foi disponibilizado pelo governo em atendimento a um pedido de acesso à informação via LAI. Dados atualizados mostram, contudo, que apenas entre janeiro e junho de 2017, foram gastos R$ 100,06 milhões. Como sempre, superfaturamento e extrapolar ja é característico da nossa cultura do jeitinho brasileiro.

A reforma da Previdência, que ainda tramita no Congresso Nacional, é defendida pelo governo Temer como essencial para diminuir parte do rombo nas contas públicas. A equipe econômica do governo estimou o deficit previdenciário em R$ 149 bilhões, o maior desde 1995. Hoje (11) a oposição fez auê no pelnário, impedindo de continuar a apreciação do texto e votação da Reforma.

A maioria dos especialistas apontam a reforma como mais do que necessária no atual momento da economia brasileira. Outros, no entanto, são a favor de cortes em outros tipo de gastos, como nos privilégios dados aos políticos. Esse assunto polêmico está longe de ser encerrado. 

 

Comente com o facebook

Publicidade