Sem acordo sobre muro, reunião de Trump com oposição termina sem avanço
O republicano tentou resolver o impasse em torno do financiamento ao muro que quer construir na fronteira com o México
O republicano tentou resolver o impasse em torno do financiamento ao muro que quer construir na fronteira com o México
Ricky Rocha Por Ricky Rocha 03/01/2019
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Terminou sem acordo a reunião com líderes democratas convocada pelo presidente Donald Trump para tentar resolver o impasse em torno do financiamento ao muro que o republicano quer construir na fronteira com o México para conter a entrada de imigrantes ilegais nos EUA.

A condição, da qual o republicano não abre mão, provoca uma paralisação parcial do governo federal que entrou no 12º dia nesta quarta-feira (2).

O encontro, na Casa Branca, foi realizado numa sala de conferências usada por presidentes para tratar de crises domésticas e situações delicadas de segurança nacional.

Com a escolha do local, o presidente tentou imprimir à discussão uma sensação de urgência sobre a questão migratória, em estratégia que já vem adotando nas muitas mensagens que escreve em redes sociais sobre o assunto.

Mas o resultado prático foi nulo. Democratas e republicanos saíram do encontro declarando que não houve avanços. Outra reunião foi marcada para esta sexta-feira (4) para tentar aproximar posições hoje antagônicas.

Trump descarta assinar qualquer lei de financiamento ao governo que não contemple recursos para o muro. Os democratas rejeitam aprovar qualquer medida que inclua a disposição.

O presidente precisa de ao menos 60 votos no Senado para passar uma proposta já aprovada na Câmara dos Deputados e que inclui cerca de US$ 5 bilhões para a obra. Os republicanos terão 53 senadores, de um total de 100, a partir desta quinta (3), quando assume o novo Congresso -e a Câmara passa para as mãos democratas.

Nesta quarta, os dois lados sinalizaram que o embate está longe do fim.

Mitch McConnell, atual líder da maioria republicana no Senado, confirmou que não houve progresso nas conversas. "Nós tivemos uma boa discussão sobre a questão da segurança da fronteira", afirmou. "Eu não acho que nenhum avanço em particular ocorreu hoje."

Ele também não deu muita esperança de que o impasse deve acabar em breve, ao indicar que um acordo pode ser alcançado "nos próximos dias ou semanas."

Do lado democrata, pouco otimismo também. Nancy Pelosi, que deve ser eleita presidente da Câmara em votação nesta quinta, afirmou que a pergunta "ao presidente e aos republicanos é por que vocês não aceitam o que já fizeram para reabrir o governo".

Chuck Schumer, líder democrata no Senado, disse ter questionado Trump sobre por que o governo não poderia ser reaberto enquanto os dois lados continuavam a negociar as diferenças sobre a fronteira."Ele não conseguiu dar uma boa resposta", afirmou. "A única razão pela qual eles estão paralisando o governo é muito simples. Eles querem tentar e amplificar a paralisação em suas propostas de segurança na fronteira. Nós queremos fronteiras mais seguras. Nós acreditamos que [nossas propostas] são melhores."

Para tentar destravar o governo, os democratas planejam fatiar as leis de financiamento ao governo. Uma primeira proposta incluiria medidas com apoio bipartidário e que financiariam agências como a Receita Federal americana e o Departamento de Interior até o final do atual ano fiscal, em setembro.A segunda estenderia o financiamento à segurança doméstica nos níveis atuais até 8 de fevereiro e incluiria US$ 1,3 bilhão para instalação de cercas, mas sem recursos para o muro de Trump -o que deve ser bloqueado no Senado, ainda sob controle republicano.

Nesta quarta, McConnell reiterou que não vai colocar em votação no Senado qualquer proposta do tipo aprovada na Câmara, por saber que Trump não assinará a medida.

Fonte a par das conversas ouvida pela CNN disse que Trump afirmou não poder aceitar a oferta democrata porque "pareceria tolo" se fizesse isso.

A construção do muro era promessa de campanha de Trump. Mas o republicano dizia que o México pagaria pela obra. Nos últimos dias, mudou o discurso e passou a dizer que o país vizinho estava pagando o muro, "pelo novo acordo comercial USMCA", conforme mensagem em rede social nesta quarta.

O USMCA é o novo tratado entre México, EUA e Canadá e que vai substituir o Nafta, considerado por Trump "o pior acordo comercial já feito."

"Muito do muro já foi completamente renovado ou construído", escreveu o presidente. "Nós fizemos muito trabalho. US$ 5,6 bilhões que a Câmara aprovou é muito pouco em comparação com os benefícios de segurança nacional. Rápido investimento recuperado!" 

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