Psiquiatra adverte aos pais para não darem smartphones aos filhos com menos de 11 anos
Em outras palavras, embora estabelecer limites para as crianças possa não favorecer uma noite agradável, elas vão por fim agradecê-lo por ter tido a coragem de cuidar do seu bem-estar a longo prazo.
Em outras palavras, embora estabelecer limites para as crianças possa não favorecer uma noite agradável, elas vão por fim agradecê-lo por ter tido a coragem de cuidar do seu bem-estar a longo prazo.
Ricky Rocha Por Ricky Rocha 07/03/2019
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Os pais e mães de hoje têm um novo desafio quando se trata de criar e educar seus filhos. Um desafio que tem se tornado cada vez mais complexo. Eles carregam a responsabilidade de ajudar seus filhos a se orientar em um mundo novo, no qual a tecnologia e os meios de comunicação estão sempre presentes.

Poucos anos atrás, os pais morriam de preocupação em relação ao uso seguro da internet e temiam que seus filhos usassem a nova tecnologia de formas ilícitas. Agora, até mesmo a utilização inócua de aparelhos parece oferecer problemas.

O Dr. Jon Goldin, vice-presidente da Royal College of Psychiatrists, a principal organização profissional de psiquiatras do Reino Unido, lembra aos pais que mesmo o que aparenta ser um uso não problemático de aparelhos celulares pode ter consequências negativas, como o risco maior da criança desenvolver depressão e ansiedade. É por isso que o Dr. Goldin tem implorado aos pais que não deem aparelhos pessoais para as crianças antes que cheguem à segunda metade do ensino fundamental.

Obviamente, o Dr. Goldin reconhece que as próprias escolas têm se tornado parte do problema, com o estímulo frequente ao uso da tecnologia nas salas de aula e o fato de que muitos alunos chegam à escola equipados com seus próprios aparelhos.

O psiquiatra afirmou ao jornal britânico Daily Telegraph que “as crianças frequentemente dizem aos seus pais: ‘Todos os meus amigos estão ganhando aparelhos e vocês não me permitem ter um.’”

O Dr. Goldin afirma que recomendações oferecidas pelo governo ajudam os pais em sua decisão de adiar o uso de smartphones pelos seus filhos.

 

Embora não defenda uma regulamentação, o Dr. Goldin explica que a simples orientação do governo pode fazer com que os pais se sintam apoiados em sua decisão de não ceder ao desejo da criança de ter seu próprio smartphone.

O Dr. Goldin, contudo, não parou na orientação governamental em relação ao uso do smartphone. Ele também recomenda que haja um limite para o uso de redes sociais pelas crianças, de duas horas diárias. Com tantas crianças já sofrendo de depressão e ansiedade, ele se pergunta por que os pais deixam que os filhos se envolvam em um meio que exacerba ainda mais esses sentimentos negativos; isso sem nem mencionar o bullying virtual.

Para ajudar a sua recomendação em relação a um uso controlado das redes sociais, o Dr. Goldin contatou o Facebook e o Twitter, solicitando que eles tornassem mais difícil para crianças com menos de 13 anos mentir sobre sua idade para acessar essas redes. Certamente, esse é um problema que afeta quase todo mundo, com uma estimativa de que quatro a cada dez crianças com idades entre 8 e 11 anos de idade possuem seu próprio smartphone.

Em uma pesquisa com mil pais, conduzida pelo Priory Group, 40% dos entrevistados afirmaram que crianças com menos de 16 anos não devem ter seu próprio telefone. Uma porcentagem ainda maior de pais (67%) chegou a afirmar que gostaria que o governo decidisse quando uma criança pode ter um smarphone.

O que levou esses pais a querer envolver o governo a esse ponto? Talvez seja porque 92% dos entrevistados afirmaram que acreditam que a internet esteja tendo efeitos negativos sobre os seus filhos, desde falta de sono até autoestima baixa. Claro, os pais também veem o efeito que esse acesso instantâneo está tendo sobre eles mesmos. De fato, um estudo nos Estados Unidos mostrou recentemente que adultos verificam os seus celulares a cada 12 minutos em média, sendo que 60% deles afirmam que não conseguiriam funcionar sem os seus telefones. Esse contato constante com smartphones também não tem sido positivo para os adultos, com metade dos indivíduos estudados tendo admitido que o seu vício em celular tem impactado negativamente os seus relacionamentos com pessoas ao seu redor.

Então, o que os pais podem fazer na criação de seus filhos nessa era de tecnologia avançada? Um especialista que proibiu seu filho de 17 anos de usar seu telefone à noite recomenda que outros pais façam o mesmo e guardem o celular dos filhos no fim da tarde.

O Professor Adam Joinson apoia essa decisão e recomenda que os pais comprem um despertador para os filhos, para que as crianças não dependam de seus celulares para despertá-los. O Dr. Joinson reconhece que os filhos vão ficar revoltados, mas ele lembra que as crianças têm o direito de se sentirem desconfortáveis com as novas regras e que a tempestade por fim passará.

Em outras palavras, embora estabelecer limites para as crianças possa não favorecer uma noite agradável, elas vão por fim agradecê-lo por ter tido a coragem de cuidar do seu bem-estar a longo prazo.

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