Pauta-bomba pode afetar futuro governo Bolsonaro
O presidente do Senado, Eunício de Oliveira, incluiu na pauta um projeto de lei que reajuste os salários dos ministros do STF e terá efeito cascata nas contas públicas
O presidente do Senado, Eunício de Oliveira, incluiu na pauta um projeto de lei que reajuste os salários dos ministros do STF e terá efeito cascata nas contas públicas
Ricky Rocha Por Ricky Rocha 07/11/2018
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O presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira, tem adotado uma postura que, na prática, credencia seu partido, o MDB, a ser olhado com mais atenção por Jair Bolsonaro. O presidente foi eleito com o discurso de liberdade em relação ao toma-lá-dá-cá no Congresso, mas isso não significa que os partidos não tentarão valorizar o passe.

Na noite de terça (6), o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) já falava em aliança com o MDB no Senado. A declaração ocorreu no mesmo dia em que Eunício armou a primeira pauta-bomba para o governo do Bolsonaro pai: a aprovação do reajuste salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

O senador Ricardo Ferraço (PSDB) disse que o projeto é um "míssel". O impacto nas contas públicas é de R$ 6 bilhões ao ano.

Com a aprovação do aumento, o salário dos ministros saltaria de R$ 33 mil para R$ 39 mil, causando um efeito cascata na remuneração de deputados federais e estaduais, senadores, governadores, juízes, procuradores.

Afinal, aos que não sabem, todos os cargos têm seus vencimentos espelhados no Supremo. 

Ferraço disse que a atitude de Eunício pegou a todos de surpresa e que ele teria avocado o projeto para o plenário com urgência, tirando-o da pauta da comissão em que ele tramitava.

Eunínio também desautorizou Bolsonaro em outro assunto: a presença da imprensa no Senado. A equipe do presidente eleito alegou "motivos de segurança" para expulsar até jornalistas credenciados tanto da primeira aparição de Bolsonaro na Câmara, ontem, quanto do dia de sua posse.

O presidente do Senado respondeu que "nem Trump" vai censurar a imprensa dessa forma.

Desde que perdeu a eleição presidencial com Henrique Meirelles, o MDB vem adotando o discurso de que será oposição ao governo Bolsonaro.

Por trás dessas movimentações está a disputa pela presidência do Senado. Há informações dando conta de que o PSL, talvez com Flávio Bolsonaro, concorra ao posto. Mas agora que o MDB tem criado dificuldades para Bolsonaro, o filho passou a falar em "ouvir" todos os senadores eleitos e, quem sabe, apoiar uma candidatura do MDB com Renan Calheiros, já que Eunício, o atual presidente, não conseguiu a reeleição.

A partir de janeiro de 2019, o MDB terá a maior bancada no Senado, com 11 cadeiras, seguido por PSDB (8), PSD (7), DEM (7), PT (6). O PSL de Bolsonaro tem 4 senadores.

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