Opinião: Baseado em fatos reais, 'Green Book' faz nascer esperança
Filme de Peter Farrelly tem grandes prêmios à vista
Filme de Peter Farrelly tem grandes prêmios à vista

Créditos do fotógrafo DreamWorks Pictures

Matheus Obana Por Matheus Obana 30/01/2019
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ALERTA DE SPOILER!

Quer chamar a atenção do público para o seu filme? Faça-o baseado em fatos reais. Isso aproxima muito o público de sua narrativa e, particularmente, este que tem a década de 1960 quase que trazida para os dias atuais, me levou às telinhas do cinema.

Graças ao roteiro em que um artista famoso e renomado, negro, contrata um anônimo e racista, branco. Dando nome aos bois: de um lado o artista é Don Shirley (Mahershala Ali), sofisticado pianista altamente requisitado pela elite americana; do outro, Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), um faz-tudo ítalo-americano que, assim como boa parte sua família, no auge de Jim Crow, é racista.

Don Shirley tem a necessidade de um motorista que além de o levar aonde precisa, implicitamente o proteja dos prováveis percalços do caminho - afinal, em sua turnê pelo sul dos Estados Unidos, a região mais racista do país, dificilmente não teria problemas. Tony, precisando de emprego, aceita (com suas condições devidamente impostas, como não engraxar os sapatos de Don).

Na estrada, após os desentendimentos nasce o carinho e cuidado um pelo outro, principalmente de Tony por Don. Vê-se ali uma desconstrução do preconceito enraizado no caráter de Tony ao passo em que ele cria afeto por seu patrão e toma dimensão do que sofria um negro naquela época e sobretudo naquele lugar.

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Tony sorrindo após fazer Don experimentar frango frito. (Foto: Universal Pictures)

Já Don Shirley, em momento até verbalizado em cena, despeja em Tony as dificuldades de ser negro e apreciado pela elite branca apenas para que se sintam chiques, e ser rejeitado por seu próprio povo por já não estar mais entre eles. E mesmo que numa abordagem sutil, o filme aprofunda-se no não-pertencimento de Don a lugar algum quando assume sua homossexualidade.

As atuações dispensam comentários. A performance de cada ator encaixa como luva no protagonismo de ambos, fazendo a dinâmica do filme funcionar muito bem. A comédia dramática aborda um tema sério de forma bem-humorada, dando certa leveza a comportamentos reprováveis naquela época e que continuam existindo e sendo desprezíveis até hoje.

O filme mostra que o preconceito existe, de fato, inegável, mas que também não é imutável. A convivência entre os dois fez até mesmo com que Don passasse o Natal com a família de Tony, majoritariamente racista, a convite do mesmo.

E quão bonito seria se tivéssemos a mesma disposição? Mesmo que, segundo as famílias alegaram, existam divergências na trama, a ideia passada pelo diretor pode muito bem ser trazida à vida real. E como seria se nos abríssemos a conhecer o outro e aceitá-lo como ele é?

É possível enxergar no filme lições de vida e esperança de um mundo melhor, em que possamos lidar com negros, gays, lésbicas, transexuais, enfim, que possamos tratar todos da maneira que o são: seres humanos.

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