Museu de Arte Moderna de SP é acusado de pedofilia após criança interagir com artista nu
Segundo o museu, as críticas que circulam pela web estão tirando de contexto a performance

Créditos do fotógrafo Reprodução

Por Bruno Alexandre 29/09/2017
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Uma performance artística no Museu de Arte Moderna (MAM), no Ibirapuera, Zona Sul de São Paulo, gerou polêmica nas redes sociais nesta sexta-feira (29). Isso porque, um vídeo que viralizou no Facebook mostra quando uma criança de aproximadamente quatro anos toca no pé de um homem totalmente nu, que se apresentava no momento. O Movimento Brasil Livre (MBL) e outros movimentos de direita falam em crime; desembargador, no entanto, vê "histeria".

Museu de Arte Moderna de São Paulo (Foto: Reprodução)

A apresentação do artista Wagner Schwartz ocorreu na terça-feira (26), na estreia do 35º Panorama de arte Brasileira, tradicional exposição bienal que aborda a arte no país e propõe reflexão sobre a identidade brasileira.

A performance chamada “La Bête” foi inspirada em um trabalho de Lygia Clark. “Bichos” é considerada a obra viva da artista, pois sua intenção era de que a arte ultrapassasse os limites da superfície de um quadro. A série de esculturas com dobradiças permite que o espectador se torne figura atuante na obra, e foram construídas com formas geométricas para que não se parecessem animais, mas que permitissem uma visão livre do que a peça representava.

O MAM negou qualquer tipo de erotismo na performance. Segundo o museu, as críticas que circulam pela web estão tirando de contexto a performance, que propõe uma leitura interpretativa da obra.

Confira na íntegra o comunicado postado no Facebook do Museu:

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O Museu Arte de Moderna de São Paulo informa que a performance 'La Bête', que está sendo questionada em páginas no Facebook, foi realizada na abertura da Mostra Panorama da Arte Brasileira, em apresentação única.

A sala estava devidamente sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez artística, seguindo o procedimento regularmente adotado pela instituição de informar os visitantes quanto a temas sensíveis.

O trabalho apresentado na ocasião não tem conteúdo erótico e trata-se de uma leitura interpretativa da obra Bicho, de Lygia Clark, historicamente reconhecida pelas suas proposições artísticas interativas.

Importante ressaltar que o material apresentado nas plataformas digitais não apresenta este contexto e não informa que a criança que aparece no vídeo estava acompanhada e supervisionada por sua mãe. As referências à inadequação da situação são resultado de desinformação, deturpação do contexto e do significado da obra.

O MAM reafirma que dedica especial atenção à orientação do público quanto ao teor de suas iniciativas, apontando com clareza eventuais temas sensíveis em exposição.

O Museu lamenta as interpretações açodadas e manifestações de ódio e de intimidação à liberdade de expressão que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

A instituição acredita no diálogo e no debate plural como modo de convivência no ambiente democrático, desde que pautados pela racionalidade e a correta compreensão dos fatos.

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