Imóveis interditados são invadidos por criminosos em SP
Pelo menos 15 famílias de Osasco, na Grande São Paulo tiveram uma surpresa triste.
Pelo menos 15 famílias de Osasco, na Grande São Paulo tiveram uma surpresa triste.
Caio Machado Por Caio Machado 14/01/2020
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Nem o perigo da estrutura cheia de rachaduras, nem o aviso de interdição do condomínio impediram a ação dos bandidos. As câmeras de segurança registraram tudo. Mascarados, equipados e armados, eles invadiram pelo menos 15 apartamentos e levaram muita coisa.

“Levaram televisão, brinquedo do meu filho, DVD, cooktop, batedeira, essas coisas assim. Até papel higiênico levaram, cesto de lixo. Abriram até champanhe dentro do meu apartamento”, contou a dona de casa Uiliane Aguiar.

Janelas dos banheiros dos empregados e fiação também não escaparam. Alguns moradores registraram o desespero de ver o resultado da noite de arrastão.

Os prédios começaram a apresentar problemas já no final da construção, em 2017. As falhas na documentação, projeto e estrutura foram tantas que culminaram com a interdição pela Defesa Civil em dezembro. Desamparados na busca de solução e agora roubados, os moradores nesta terça-feira (14) decidiram se arriscar.

Mesmo com laudo falando em possibilidade de risco de vida, muitos entraram para salvar o que dava. "Agora não sei o que vou fazer. Simplesmente peguei minhas coisas, vou deixar na minha filha, na garagem. Estou assim, um pouco na minha irmã, um pouco na minha filha”, disse a aposentada Hilda Maria de Melo.

Os prédios foram erguidos e vendidos pela construtora Caruso e pela cooperativa João de Barro.

O financiamento foi do programa Imóvel na Planta, da Caixa Econômica Federal. Os moradores dizem que, até agora, nenhuma das empresas apresentou solução para os prédios, que nem habite-se têm.

Mais um caso de sonho da casa própria que virou pesadelo. “Ninguém faz uma reunião com a gente, ninguém fala nada. Não tem mais casa, tem que pagar as despesas do condomínio, tem que pagar onde você mora. Qual é o retorno que a gente vai ter? A gente não sabe”, diz chorando a auxiliar de enfermagem Ana Paula Ferreira.

A defesa da construtora Caruso afirmou que laudos independentes afastaram qualquer risco nos prédios, que a interdição afronta a realidade dos fatos, mas que a empresa vai arcar com os custos das obras necessárias para liberar os prédios.

A prefeitura de Osasco afirmou que condomínio não tem o habite-se porque os documentos necessários não foram apresentados e que, mesmo assim, os moradores entraram nos imóveis.

A Caixa declarou que, apesar de não ter essa função, se reuniu com a Defesa Civil e com os representantes do condomínio e da incorporadora para viabilizar a regularização dos imóveis e o retorno das famílias. E que tem prestado auxílio quando demandada.

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