História é repleta de erros de cálculos mais grosseiros, diz professor
Quando comparamos a sociedade atual com aquelas que já marcaram a antiguidade, como a paleolítica, neolítica, grega-romana, e a mesopotâmia, é comum dizer que a que vivemos está em melhores condições do que qualquer outra já viveu. Professor de História discorda desta teoria e mostra que a realidade não é bem assim.
Quando comparamos a sociedade atual com aquelas que já marcaram a antiguidade, como a paleolítica, neolítica, grega-romana, e a mesopotâmia, é comum dizer que a que vivemos está em melhores condições do que qualquer outra já viveu. Professor de História discorda desta teoria e mostra que a realidade não é bem assim.

Créditos do fotógrafo Divulgação / MF Press Global

Erre Soares Por Erre Soares 16/10/2020
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Vai chegando na reta final aquele que ficará conhecido como o ano 2020 D.C. Em meio à tantas histórias já vividas, a humanidade passou por diversas fases, cada uma com suas características marcantes. No entanto, esse contexto de sociedade do progresso e altamente científica que é atual, “só foi colocada em práxis na revolução francesa em diante”, explica o professor Ueldison Alves de Azevedo. Ele acrescenta que “até então todos acreditavam numa divindade absoluta do rei, no domínio da nobreza e no poder atemporal e temporal da igreja, ainda que a sociedade para aquele período estava prestes a se transformar, ela continuava obediente ao monarca, era uma sociedade estamental, sem mobilidade alguma em especial na França, última "nação" a aderir uma revolução radical contra a monarquia”.

 

Ueldison destaca também o progresso mais profícuo da ciência, que começa a voar como jamais vista antes. No entanto, é preciso entender que “várias das coisas que temos hoje dentro da ciência já vinha dos antigos gregos, o átomo por exemplo (a partícula indivisível como já era denominado), mas por causa da radicalização dos jacobinos para com todos aqueles que seguiam o monarca e a igreja, a violência foi tão grande que nomes de religiosos foram arrancados das ruas da França e substituído por nomes de iluministas”. Outro emblema é a figura de Napoleão Bonaparte, que “colocando o racionalismo da lei, da espada e da igreja ao fundo de sua imagem, parece que ele já queria nos mostrar como seria a sociedade do século XIX, XX e XXI”, explica.

 

Assim como a falsa ideia que a ciência é algo novo, o professor de história lembra que um engano da sociedade atual é acreditar que a tecnologia é algo “novíssimo” dos anos 2000. “Isso me faz pensar que os coitados que criaram a lança e acreditaram possuírem ferramentas tecnológicas para aquele período, acabou sendo jogado no lixo, falar que a idade média não teve tecnologia e arte, sendo ela considerada ‘idade das trevas’ também é mais um descarte comum que fazemos”. Ele completa que “nós temos sim a nossa tecnologia como a conhecemos fruto de uma transformação no decorrer do século XX, mas lá atrás tivemos uma sociedade que já tinha ciência, que já tinha tecnologias, tinha artes”. Por isso, ele aponta, “é um erro grotesco acreditar que somos uma sociedade mais evoluída de todos os tempos, pois teremos gerações que poderão ser mais ainda”.

 

Assim, Ueldison Azevedo reforça sua acreditação “no processo evolucionista, ou seja, apenas temos uma sociedade que está no seu auge existencialista do ser”. Assim, vivemos um tempo onde mais vez somos formados por “teorias e teorias filosóficas para justificar a sociedade no seu patamar atual, e esquecemos seu fruto progressivo que nos remete o tempo das cavernas”, finaliza.

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