Fechado o acordo entre UFRJ e BNDES, que dará novo papel cultural ao Canecão
Antiga casa de shows em Botafogo, hoje abandonada, deverá receber múltiplas atividades
Antiga casa de shows em Botafogo, hoje abandonada, deverá receber múltiplas atividades
Ricky Rocha Por Ricky Rocha 18/07/2018
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Um acordo entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) permitirá a transformação do prédio da antiga casa de shows Canecão, em Botafogo, em um novo espaço cultural no Rio de Janeiro. O prédio pertence à UFRJ.

A casa foi palco de grandes espetáculos musicais, com nomes brasileiros como Ellis Regina, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Maria Bethânia, cazuza, e muitos estrangeiros, entre os quais os cantores norte-americanos Tony Bennett e James Taylor e a banda britânica Black Sabbath.

O projeto que envolve o Canecão "é muito amplo e ambicioso", disse o reitor da UFRJ, Roberto Leher. Pelo acordo, caberá ao BNDES avaliar os ativos universitários, entre os quais o Canecão, um espaço de elevado valor econômico e simbólico para a cidade.

Outras áreas que também serão avaliadas localizam-se na Urca, Zona Sul, na Ilha do Fundão, Zona Norte; e na região central da cidade. É o caso do prédio onde funcionou a Escola de Comunicação (ECO) da universidade, posteriormente transferida para a Urca. Cedido ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que não teve recursos para promover sua reforma, o prédio acabou sendo retomado pela UFRJ.

"O BNDES vai providenciar com firmas de consultoria a avaliação de tais ativos para que a universidade possa estudar eventuais concessões dessas áreas com uma modelagem original, inclusive para o banco", informou Leher. O ineditismo é explicado porque as contrapartidas não serão na forma monetária. "Serão contrapartidas de investimentos", explicou o reitor.

Quem ganhar a licitação investirá na construção de moradias estudantis, uma vez que um quarto dos estudantes da UFRJ vêm de outras cidades e estados, na melhoria da estrutura de alimentação e na conclusão de obras na Cidade Universitária, como os prédios destinados às áreas de educação e saúde e o Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas.

Leher lembrou que a UFRJ, que tinha na Lei Orçamentária R$ 55 milhões para investimentos, como construção de prédios e compra de equipamentos, hoje dispõe de apenas R$ 6 milhões.

 

Contrapartida

No caso do Canecão, a universidade receberá, em contrapartida, um novo espaço cultural que vai ocupar área importante para a história da cultura e da música popular brasileira (MPB). "Queremos levar adiante essa tradição simbólica da MPB e de (revelação de) novas expressões musicais, como foi o caso do Canecão." Na casa, surgiram artistas que depois ganharam muita visibilidade, destacou o reitor.

Ele ressaltou que, hoje, os espaços de maior porte do Rio são voltados, de forma geral, para artistas já conhecidos.

Além disso, terão espaço novas linguagens musicais, teatrais e de dança. Ainda não há muitos detalhes, porque o projeto final dependerá do volume de recursos obtidos pela UFRJ com a concessão de uma área na Praia Vermelha. No entanto, já existem conceitos estabelecidos, pois a universidade e o BNDES trabalham há cerca de um ano nessa forma nova de modelagem em que não se prevê recebimento de recursos. Isso significa que a universidade receberá do vencedor da licitação o espaço novo inteiramente concluído.

Leher destacou que a avaliação da área do Canecão deverá ser muito ousada. "Queremos apresentar (o projeto) na China, na Europa e nos Estados Unidos, para que haja investidores que tenham de fato capacidade financeira para as contrapartidas para a UFRJ e para a cidade do Rio de Janeiro."

As discussões com o BNDES preveem ainda uma modelagem de funcionamento para o antigo Canecão que permita à universidade captar recursos. O centro cultural receberá concertos e shows, "e isso vai capitalizar" a casa. Estudos do banco estimam em cerca de R$ 2 milhões por ano os recursos necessários para manter "pulsante" o espaço cultural. Pelo projeto, a casa deve ser autossuficiente, capaz de se autocustear, e as receitas obtidas com seu uso, precisam garantir o fortalecimento da área cultural da universidade.

O reitor destacou a desigualdade no financiamento para pesquisa, desenvolvimento científico, cultural e artístico. Segundo Leher, algumas áreas têm mais oferta de recursos, enquanto as de cultura e artes são pouco contempladas em termos orçamentários.

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