Fake news nas eleições de 2018: PT busca evitar ‘onda Bolsonaro’ com contra-ataque via WhatsApp
essa eleição tem sido marcada por uma avalanche de desinformação produzida em “escala industrial” para confundir o eleitor e prejudicar candidaturas.
essa eleição tem sido marcada por uma avalanche de desinformação produzida em “escala industrial” para confundir o eleitor e prejudicar candidaturas.

Créditos do fotógrafo Reprodução

Daiane Siquelli Teófilo Por Daiane Siquelli Teófilo 10/10/2018
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Acompanhar dezenas de grupos políticos no WhatsApp é uma experiência um tanto surreal. Links, vídeos, imagens e áudios são compartilhados caoticamente por diversas pessoas ao mesmo tempo, quase impossibilitando a leitura de quem recebe na outra ponta.

Para tentar estancar o crescimento de Bolsonaro e impulsionar Haddad, o tom propositivo e conciliador que o PT vinha adotando até o momento serão deixados em segundo plano e substituídos por um tom mais agressivo. Até agora, a estratégia petista era em torno de colar a imagem de Haddad, desconhecido para grande parte do eleitorado, à do ex-presidente Lula, preso desde abril acusado de corrupção. Com a mudança de estratégia, o PT passa a usar todo seu arsenal de ataques, até então guardado para o segundo turno.

A forte polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) criou um "campo fértil" para o aumento das fake news no segundo turno. Um deles aponta, no entanto, que nenhum sistema de segurança do mundo consegue impedir a proliferação de notícias falsas e que "ninguém poderia imaginar que a truculência iria descambar para o crime".

O TSE foi comandado por três ministros diferentes ao longo deste ano: Gilmar Mendes, Luiz Fux e Rosa Weber. Durante a gestão de Fux, integrantes da Corte Eleitoral debaterem no Conselho Consultivo, criado na gestão de Gilmar, propostas para regulamentar o combate à disseminação de notícias falsas, mas não houve consenso. Ao contrário do esperado, o plenário não aprovou uma minuta sobre o tema, que nem chegou a ser divulgada oficialmente. Era essa minuta que criaria uma diretriz sobre como seria a prevenção e repressão às notícias falsas durante a eleição.

Segundo a diretora da organização Coding Rights e integrante do site de monitoramento de discursos discriminatórios Tretaqui, Joana Varon, a desinformação nas redes tem um caráter ainda mais preocupante, pois vem misturada com discursos de ódio a grupos e pautas. Essas mensagens têm se beneficiado por não ter um contraponto a ataques e discursos enganosos, nem mesmo por parte da imprensa tradicional.

A ativista cita como exemplo os atos #EleNão, contra o candidato Jair Bolsonaro, promovidos no dia 29 de setembro. Diversas publicações com fotos falsas ou vídeos editados circularam nas redes se referindo aos atos, inclusive por parte de algumas candidaturas. “Esse tipo de informação muitas vezes não é desmentida, e as pessoas acabam ficando sem o contraponto”, disse Varon à Agência Brasil.

A Lei 9.504/1997 (conhecida como minirreforma eleitoral) definiu como crime com punição de 2 a 4 anos “a contratação direta ou indireta de grupo de pessoas com a finalidade específica de emitir mensagens ou comentários na internet para ofender a honra ou denegrir a imagem de candidato, partido ou coligação”.

A Resolução 23.551 regulamentou diversos aspectos do pleito eleitoral deste ano, incluindo a propaganda de candidatos. A medida prevê a livre manifestação do eleitor, mas admite a possibilidade de limitação quando “ocorrer ofensa à honra de terceiros ou divulgação de fatos sabidamente inverídicos”.

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