Escola bilíngue oferece curso de inglês para moradores de rua
“Estou na rua, mas não faço parte da rua”
“Estou na rua, mas não faço parte da rua”
Caio Machado Por Caio Machado 06/12/2019
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Moradores de rua passaram os últimos meses em salas de aula no Rio, aprendendo inglês.

“Já chorei ali várias vezes. Isso é muito positivo para mim”, contou o aluno Mauro Terra.

Cada aluno diz seu nome com orgulho, mas é preciso voltar no tempo para entender o significado desse momento especial. Todos os alunos presentes moram nas ruas.

“Estou na rua, mas não faço parte da rua”, explicou Anderson.

Há nove meses, uma escola cristã bilíngue se instalou em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Da janela, o dono percebeu as pessoas ali, na morada improvisada. Foi até elas, convidando para estudar inglês.

“Eles não merecem só um prato de comida. Eles têm que ser resgatados para eles saberem que eles são importantes”, afirmou Gabriel Frozi, fundador do curso.

Desde abril, uma vez por semana, os novos alunos se reúnem na sala de aula para aprender. No comando das aulas, Leandro Barbosa, professor de inglês. O maranhense se reconhece em seus alunos. Antes de chegar ao abrigo que divide com vários companheiros, morou nas ruas do Rio quando perdeu o emprego.

“Quando eu observo que eles estão nesse estado no qual eu já estive também, me dá mais força, me dá mais energia para que eles possam estar também transformados”, contou.

Leandro ajudou a entregar o diploma na formatura da primeira turma. Os alunos vibraram e se emocionaram com a conquista de cada um. O agradecimento de Edmilson Lemos foi em nome de todos.

“Temos que ser muito gratos que pessoas que estão passando por nossas vidas têm a sensibilidade de enxergar algo além daquilo que eles estão vendo apenas nesse corpo físico”, disse.

Alguém pode perguntar o que um certificado de inglês pode ajudar a quem vive na rua. Mas é que esse papel pode significar o recomeço, o resgate da dignidade, da cidadania. Alguém enxergou essa população invisível e esses cidadãos estão adorando agradecer em inglês.

As oportunidades já começaram a aparecer. Reidisson Monteiro conseguiu trabalho e saiu da rua.

“Eu voltei para o meu lar, para o convívio da minha família, eu recuperei a confiança da minha mãe, do meu pai”, contou.

Mauro Terra também espera o fim do sofrimento. Paraquedista, 48 anos, serviu no Haiti e em Moçambique. Mas é a batalha das ruas que ele espera vencer com esse certificado, que é também de esperança.

“Isso representa demais para mim. É maravilhoso saber que eu posso fazer a diferença também”, afirmou.

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