“Egito Antigo: do cotidiano à eternidade” no CCBB RJ
CCBB percorre as luzes do Egito antigo
CCBB percorre as luzes do Egito antigo
Ricky Rocha Por Ricky Rocha 12/10/2019
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O CCBB RJ abre hoje, sábado (12)  a exposição “Egito Antigo: do cotidiano à eternidade”, em que, além de belas peças de arte, mostra, por meio do estilo, dos materiais, dos recursos técnicos disponíveis e, especialmente, das referências usadas, aspectos da cultura e da religiosidade no Egito antigo, tal como sua influência sobre a vida cotidiana dos egípcios em um período que vai de 4 mil a 30 anos antes de Cristo. O acervo é composto de 140 peças trazidas do Museu Egípcio de Turim (Museo Egizio), na Itália, e mais 89 de outras coleções.

A forma como a natureza condicionava fatores da vida e inspirava a formação religiosa também é fortemente contemplada na mostra que se divide em três seções – Vida Cotidiana, Religião e Eternidade –, cada qual marcada por três cores e intensidades de iluminação. Além as peças originais da antiguidade – muitas descobertas em escavações do século 19 e início do século 20 –, há réplicas, como da tumba da rainha Nefertari, esposa de Ramsés II, e uma pirâmide cenográfica, na rotunda do térreo do CCBB, medindo 6 metros. “Tem uns camelos em escala de tamanho proporcional, para o visitante ter ideia da altura das pirâmides originais, que chegam a 104 metros”, explica o holandês Pieter Tjabbes, que organizou a exposição junto com o italiano Paolo Marini, curador do Museo Egizio.

Para facilitar a compreensão do significado das peças, um filme de 4 minutos sobre a história do Egito antigo é mostrado no início da exposição, subindo o primeiro andar do CCBB. 

Trata-se uma história desenvolvida principalmente do primeiro faraó, Menés (entre 3.100 a.C. e 3.000 a.C.) a 30 a.C., após a derrota de Cleópatra pelo Império Romano, na Batalha de Alexandria – Quase 3 mil anos de relativa estabilidade política, prosperidade econômica e desenvolvimento artístico, com grande influência na moda, no design e na arquitetura.

Outros filmes mostram descoberta da tumba do Tutancâmon, no século 20, a uma reconstrução de templos em 3D.

Um deus, além de um astro, o Sol, a cada vez em que brilhava mais uma vez, iniciava mais um dia. Era quando seus primeiros raios de luz surgiam do akhet (horizonte) para iluminar Kemet, a terra negra (Egito). A manhã também a exposição, em seu ambiente de iluminação mais brilhante, Entre paredes amarelas, pequenos adornos e objetos de uso pessoal, como roupas, pentes, caixas e frascos de cosméticos ilustram parte da Vida Cotidiana egípcia, e ajudam a entender alguns de seus aspectos, da vestimenta à nutrição e à saúde, como as pinturas ao redor, feitas justamente para protegê-los dos raios do sol nos períodos de luz mais forte. 

O amarelo está associado também ao ouro, do qual seria feita a pele dos deuses, assim como ao tom ocre bastante usado na 18ª Dinastia (1550-1295 a.C.), em Deir el-Medina, vila onde viviam trabalhadores das tumbas do Vale dos Reis, origem da maior parte da informação sobre o dia a dia dos egípcios antigos. 

À suave luz dos deuses

Com a luminosidade dando lugar à penumbra, a Religião politeísta da época dos faraós é ambientada em verde, cor relacionada ao renascimento e à regeneração, tal como à pele do deus Osíris, rei dos mortos, e ao papiro, feito a partir de planta ue identificada com o rio Nilo e que, segundo os ritos, representava uma nova vida. 

A luz suave simula a dos templos, onde os cultos eram praticados e os sacerdotes escreviam os textos sagrados. O tamanho médio dos objetos varia entre estatuetas de divindades, como o amuleto da deusa Ísis  (664-332 a.C.), de  7,7 cm, à maior peça da exposição, a estátua de Sekmeht (1390-1353 a.C.).uma deusa solar, representada com a cabeça de uma leoa, que – já não tão suave – praticava a guerra e a vingança, encarregada por Rá de castigar a humanidade por sua desobediência aos deuses.

Gatos, cães e falcões eram outros animais ligados aos ritos religiosos, sendo, inclusive mumificados, além de representados como divindades e assim registrados em suas estátuas e desenhos.

Repleta de sarcófagos e com peças de múmias, a terceira seção da mostra ilustra como os egípcios já cultivavam a ideia de vida eterna e a preservação do que julgavam continuar vivo após a morte. Marini explica que eles não eram os únicos a praticar cultos de sepultamento na Antiguidade, pois o mesmo ocorria nas civilizações da Mesopotâmia (onde hoje fica o Iraque), mas “estas não tinham como mumificar os corpos devido à maior umidade da região”, a qual favorece o desenvolvimento das bactérias que comiam os cadáveres. 

A mumificação era tratada como uma proteção do corpo para continuar a vida após a morte. Os órgãos eram retirados, tratados e guardados em vasos especiais, pois os egípcios acreditam que precisavam preservá-los para assegurar a vida eterna. Somente o cérebro era descartado. Já o coração, a “casa da alma”, era recolocado na múmia. 

Vesti azul

Entre paredes azuis, a Eternidade é representada pela noite, quando, de acordos com os ritos egípcios, a deusa Nut engolia o Sol. O azul também é a cor do lápis-lazúli, mineral precioso valorizado pelos egípcios e que tem lugar da história da perenidade do aspecto das obras expostas. Na contramão da escuridão noturna, diversas placas de pedras e, especialmente, sarcófagfos permanecem coloridos depois de dois a seis milênios.

 

A preservação das colorações é uma atração em si na exposição sobre o Egito. Curiosamente, ela se deve em boa parte ao fato de que, na maior parte do período coberto pela exposição, ainda não havia recursos como a tinta a óleo, cujo registro mais antigo data em torno de 650 a.C.. “Eles usavam minerais, como pedras, e areias de diferentes colorações”, explica Paolo Marini. Depois de descobertos nas escavações, sarcófagos, placas e objetos levados para museus como o de Turim passaram por processos com aplicação de componentes químicos que ajudam a conservar sua coloração, mas “nenhuma pintura adicional”, como ressalta o curador.

Fotos: João Pequeno

 

EGITO ANTIGO – DO COTIDIANO À ETERNIDADE

CCBB. Rua Primeiro de Março, 66, Centro (em frente à Candelária).

Tel.: 3808-2000.

Deste sábado, 12 de outubro, a 27 de janeiro de 2020.

De quarta a segunda, das 9h às 21h.

Entrada gratuita.

 

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