Brasil no mercado mundial: Um monte de contas "fake" que possuem vida própria.
O mundo de faz-de-conta da rede social não se resume a filtros e abuso do uso de photoshop nas imagens, mas também em uma legião de contas fake para inflar números e relevância de influenciadores digitais, que fazem da internet um modo de vida.
O mundo de faz-de-conta da rede social não se resume a filtros e abuso do uso de photoshop nas imagens, mas também em uma legião de contas fake para inflar números e relevância de influenciadores digitais, que fazem da internet um modo de vida.
Fabiano de Abreu Por Fabiano de Abreu 30/07/2018
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O Brasil é um país em crise, que provavelmente enfrenta sua mais profunda recessão econômica de todos os tempos, aonde a maioria das pessoas tem tido seu poder aquisitivo enfraquecido. Nessa realidade, de bolsos esvaziados, as casas de show tem estado vazias, e a industria do entretenimento tem amargado recordes negativos.

A crise mudou o perfil de consumo de entretenimento do brasileiro médio: hoje, em sua maioria, o brasileiro é um público visualiza muito, através das plataformas digitais, mas consome pouco em bilheteria e aquisição de produtos. Assim, o sucesso hoje é obtido com views, com números na internet, que conferem relevância para os artistas brasileiros e internacionais. Assim, cria-se uma nova categoria de artistas, os influenciadores digitais, que atraem contratos e parcerias pelo engajamento que geram na internet, atingindo milhões de pessoas.

Um exemplo dessa mudança de perfil é o mercado do entretenimento no Rio de Janeiro. Os donos das casas de show e discotecas tem reclamado do movimento enfraquecido, e da cena cultural esvaziada, ao passo que artistas também tem reclamado que não tem tido uma agenda de shows como antes. O Rio, que já foi uma das cidades mais relevantes na cena cultural e da industria do entretenimento do cone sul, hoje é uma cidade que tem em atividade menos da metade do número casas de show, em relação à década passada. Os motivos são: a crise financeira e em especial a violência, que faz com que as pessoas evitem sair, preferindo ficar em casa, gerando views para youtubers e influenciadores digitais.

No entanto, apesar da relevância de números associados a estatísticas de acessos e visualizações em plataformas como YouTube e Instagram, sabe-se que no mundo digital, os dados nem sempre correspondem às vias de fato. Existe hoje entre os influenciadores digitais uma onda de compra de seguidores e curtidas para inflar números e obter maior relevância, e assim pleitear patrocínios. Mas o problema é que essas contas compradas, fakes, não surtem efeito em interação, ficando evidente a fraude.

Mas a verdade é que embora esses perfis e contas sejam falsos, movimentam-se. E por que digo que são contas "falsas" (conhecidas como fakes) que se movimentam e tem praticamente vida própria? Porque, embora não correspondam a seguidores reais, foram criadas por pessoas de verdade, e para atender a interesses bem reais. Servem para, no mundo de faz de conta da rede social, inflar dados e exagerar relevância, e contam números para que os artistas alcancem seus objetivos que são: fama, audiência e números para ganhar patrocínios e contratos publicidade. Existiria o mercado dos influenciadores digitais sem os chamados fakes? Provavelmente não como o conhecemos.

 

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