Brasil decide rejeitar a ajuda de US$ 20 milhões do G7 para a Amazônia
Palácio do Planalto confirmou na noite desta segunda que não aceitará oferta apresentada pelo presidente francês, Emmanuel Macron
Palácio do Planalto confirmou na noite desta segunda que não aceitará oferta apresentada pelo presidente francês, Emmanuel Macron
Ricky Rocha Por Ricky Rocha 26/08/2019
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O Palácio do Planalto acabou de confirmar, na noite desta segunda-feira, que o presidente Jair Bolsonaro decidiu rejeitar a oferta de US$ 20 milhões dos países do G7  para ajudar no combate às queimadas na Amazônia. A informação sobre a recusa foi dada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom).

O anúncio da oferta de dinheiro foi do presidente francês, Emmanuel Macron , com quem Bolsonaro vem "trocando farpas" desde a semana passada.

Ao longo do dia, interlocutores do presidente já tinham afirmado que caso a oferta feita pelos países ricos fosse condicionada a alguma contrapartida ou exigisse um monitoramento na aplicação de recursos a tendência era pela recusa.

Ocorre que, no anúncio feito por Macron, parte dos recursos, destinados ao reflorestamento, estava vinculada a um trabalho com ONGs, e é sabido que Bolsonaro não quer fechar parceria com as ONGs .

Após uma reunião no Ministério da Defesa entre Bolsonaro e alguns de seus ministros, o seu porta-voz Otávio do Rêgo Barros  disse que a decisão caberia ao Ministério das Relações Exteriores. Pouco depois, em publicação nas redes sociais, o chanceler Ernesto Araújo — que também participou da reunião  — sinalizou que o governo poderia não aceitar a oferta anunciada pelo presidente francês.

Segundo o ministro, "está muito evidente o esforço, por parte de algumas correntes políticas, de extrapolar questões ambientais reais transformando-as numa 'crise' fabricada, como pretexto para introduzir mecanismos de controle externo da Amazônia".

"O Brasil não aceitará nenhuma iniciativa que implique relativizar a soberania sobre o seu território, qualquer que seja o pretexto e qualquer que seja a roupagem", escreveu o Araújo.

O governo brasileiro avaliou que o presidente francês, Emmanuel Macron , fracassou ao tentar responsabilizar o Brasil pelas queimadas na Floresta Amazônia , durante a reunião dos países do G7 em Biarritz, na França.

Segundo fontes próximas ao presidente Jair Bolsonaro, a partir dessa "vitória" sobre Macron, o Palácio do Planalto e o Itamaraty trabalham, agora, em três frentes:

- aceitar apenas  a ajuda dos vizinhos sul-americanos e de Israel; 

- lançar um grupo de trabalho com os Estados Unidos , para que seja construída uma proposta de política ambiental conjunta; e

- adotar ações mais "drásticas", para mitigar os efeitos dos incêndios no Norte do país.

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