Adnet paga ingresso e descarta camarotes: 'Preferi um setor mais popular'
Nesta segunda-feira, a São Clemente de Adnet põe na avenida o enredo "O Conto do Vigário".
Nesta segunda-feira, a São Clemente de Adnet põe na avenida o enredo
Caio Machado Por Caio Machado 24/02/2020
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Marcelo Adnet, que é também um dos compositores do samba da São Clemente em 2020, assistiu ao desfile deste domingo em uma frisa.

Ele diz que preferiu pagar ingresso a ficar num camarote, para sentir mais de perto o calor do desfile.

"Eu poderia estar em vários camarotes, mas eu não quero. Estou pagando mais de R$ 1 mil por ingresso porque quero independência, não quero depender de nada. Quero estar aqui na pista. Preferi um setor mais popular do que estar num lugar que tem show no intervalo, que não tem samba."

A música - que tem versos como "abençoa a mamata" e "tem marajá puxando férias em Bangu" - é, para Adnet, a que mais fala sobre os tempos de hoje.

"Vamos com muita garra, muita vontade e falando de um Brasil muito atual. Acho que a São Clemente é o enredo mais contemporâneo de todos".

Neste domingo, outra escola que deu o tom político foi a Mangueira, contando a história de um Jesus Cristo periférico nascido na favela.

"É um papel maravilhoso da Mangueira, está desenhando o carnaval de uma forma incrível. Fez dois carnavais de resistência, protesto, crítica social, coragem e enfrentamento", afirma.

Para o humorista, a falta de apoio do poder público acabou deixando a festa ainda mais forte.

"Às vezes, a falta de recursos traz uma criatividade maior. Acho que é o caso desse ano. A falta de dinheiro trouxe para as escolas a necessidade de querer dizer alguma coisa, isso é muito bom pro carnaval".

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